“O Senhor das Moscas” (The Lord of Flies)

Baseado na obra literária do britânico William Golding, de 1954, o filme “O Senhor das Moscas” apresenta-se como um verdadeiro experimento social. A história, tanto no livro, no filme de 1963 e no remake de 1990; é simples: um avião, contendo crianças e púberes, cai em alto mar. Os jovens sobreviventes vão parar em uma ilha deserta onde têm que utilizar dos recursos naturais se quiserem sobreviver ou serem resgatados. Daqui já parte um breve aviso: Se imaginam que terá alguma cena de ação ou explosão, amigos leitores, estão muito enganados. Não, esse é um filme chato e cult!

Inicialmente, esses pequenos humanos organizam-se em um grande grupo, posteriormente compondo uma assembléia (uma referência à democracia). Essa pequena democracia possui um líder, Ralph, que é o típico líder democrático do apelo emocional e discurso encorajador. Como antagonista, temos o rebelde Jack, que consegue angariar membros para um grupo de caçadores, sendo ele um líder autocrático de apelo racional e discurso voltado para minimizar seus “adversários” (é aquele “carinha legal, bonitinho e descolado” que senta no fundo da sala). Daí em diante, é de deliciar ver como grupos se constituem e se organizam em torno de lideranças, principalmente para alcançar objetivos em comum e/ou realizar desejos e afetos. O conflito entre as lideranças é um dos ápices e é inevitável não tomar nenhum partido durante o desenrolar do enredo.

Vemos, então, crianças transformando-se em pequenos selvagens, irracionais, doentes. Vocês podem pensar “Ah, mas são apenas crianças”, pois não sabem e nem imaginam o quanto esses engenhosos e pequenos humanos são capazes! E essa transformação também não é uma crítica ou ilustração de sistemas primitivos humanos, pelo contrário, em “O Senhor das Moscas” podemos enxergar todos os elementos que compõem a sociedade desde tempos longínquos até a era contemporânea: a organização de grupos e afiliação, conflitos hierárquicos, conflitos de grupo, formas de governo, preconceito, perseguição, alimentação do medo, desempenho de papéis sociais, a mobilização da minoria, etc. O filme brinca com nossa capacidade e necessidade mais banal: de sermos seres sociais.

Não irei me alongar com spoilers sobre o filme, tanto a película de 1963 quanto o remake de 1990 valem a pena assistir, em especial o de 63 para quem é aficionado por filmes antigos. A temática de conflitos psicológicos, sociais e até mesmo existenciais permeia a película, tornando-a quase obrigatória para quem aprecia boas discussões. Um filme simples, aparentemente maçante, porém essencial.

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