Minha noite de Segunda

Sai de um dia atípico e tranquilo de trabalho nessa segunda de 2 de abril, via apequena e quase imperceptível brincadeira de trocar a minha data de aniversário nas redes sociais para 1º de abril. Me sentia uma criança arrependida da traquinagem feita, mas segui o rumo de casa sem pensar muito.

Tomei um banho que pareceu ser mais demorado do que realmente foi, sai ainda com a sensação de que não conseguiria dormir tranquilamente por mais uma noite, depois de me vestir, coloquei dentro da mochila o esboço do livro que arrasto a escrita a algum tempo e que a vontade de publicá-lo cai vertiginosamente e fui para o única lugar que conseguia pensar ser uma boa distração, o café do Belas Artes. Queria assistir “shame” mas cheguei atrasado para a ultima sessão. Como um presságio que algo assim aconteceria, olhei para o desenho do “jack” estampado na minha mochila e podia jurar que o vi piscar maliciosamente para mim. Retirei o esboço e comecei uma revisão que há muito tempo prometia, pedi um café com whisky rindo da menção ao blog que só eu ali entendi, não estava muito bom, mas creio que consegui tomar até o fim com a minha melhor cara de complacente.

Ao final do segundo capitulo revisto e devidamente corrigido sai do interior do café e pedi um cappuccino com creme e que ainda não havia experimentado, senti o gosto de um dos melhores que já provei, e junto o dessabor de não ter mais minha única companhia suficiente, relembrei de um programa em um outro dia qualquer, com alguma outra pessoa que me tirasse algu7m sorrido involuntário e inesperado, programa que não havia acontecido ali, programa que não iria acontecer ali, e só no final da bebida que pude ler nas marchas escuras gravadas na xícara que havia perdido o momento de tê-lo.

Terminei a correção do terceiro capitulo conseguindo restabelecer contato e intimidade com as minhas personagens. Não sentia aquele sentimento pedante e carente costumeiro, mas ainda não conseguia me sentir a vontade com meus próprios pensamentos. Comprei o ingresso de “mulheres do 6º andar” e resolvi dar aquela noite de segunda a oportunidade de terminar sendo “de primeira”.

Entrei na sala quase vazia ainda sem ser observado como um estranho no ninho. Sentei na a frente para evitar que alguém provido de uma avantajada cabeça me atrapalhasse de ver o filme, mas para a minha sorte grande, justamente o lugar que eu escolhi foi o de trás de um dos outros poucos vagos que fora preenchido com uma rapaz que alem de ter um crânio avantajado tinha um enorme cabelo que me lembrava estopas de fim de tarde em uma oficina de autos, para completar o rapaz era hiperativo, não me lembro de tê-lo visto parado por 5 segundos.

Filme bom, portei mais cedo uma resenha do mesmo, noite razoavelmente agradavel, mas encerro ela como muitas outras, vou para casa dormir com aquela impressão que deixei algo para traz, vou me deitar sozinho mas cheio da minha própria companhia, no final dessa minha noite de segunda.

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