The Cure – Disintegration (1989)

AVISO: Ouvir The Cure é de cortar o coração, ou então os pulsos.

A banda inglesa The Cure foi fundada em 1976, e desde lá recebe os mais variados títulos como “rock gótico”, “rock alternativo” etc. É inegável, porém, que independente de sua classificação, o The Cure tornou-se símbolo de uma época. O final dos anos 80 e início da década de 90 foi marcado pelo visual obscuro, por letras sentimentais e melancólicas, e por melodias que variavam entre o sombrio e a alegria. As palavras “Oi! Eu sou gótico e sou feliz” não poderiam se encaixar melhor.

De fato, querendo ou não o grupo transformou-se em um dos progenitores do estilo gótico, assim como Korn é chamado de padrinho do New Metal, por exemplo. Certamente, essa obsessão com o existencial presente constantemente nas letras contribuiu para essa categorização, junto com os cabelos desgrenhados, roupas escuras, maquiagem e o batom borrado do líder Robert Smith. Agora, longe dessas categorizações midiáticas, vamos ao que interessa: o álbum Disintegration.

Lançado em 1989, o álbum é considerado o melhor da banda, que canalizou uma fase difícil de Robert Smith através de suas músicas. Pessoal, depressivo, profundo, abismal, não é à toa que o filósofo Schiller dizia que “A dor, quando experimentada na forma de arte, nos deixa comovidos”, pois Disintegration é um mergulho profundo na dor de Smith e uma catarse para os ouvintes. Admirado, aclamado, poético, surreal! O álbum consegue compactar em 12 faixas todo o universo da tristeza como nunca outro disco da banda o fez.

A banda emplacou com os singles “Pictures of You”, “Fascination Street”, “Lovesong” e “Lullaby”. Destaco aqui a faixa de introdução, “Plainsong”, que de cara os seus sintetizadores já nos dão uma brecha do que se pode esperar do álbum. A faixa “Lovesong” possui todas as características de uma música romântica, e de fato é, visto que Smith a compôs em homenagem a sua esposa, mas que não deixa de perder um ar “deprimido” através da interpretação da banda. É a típica música para aquela dor de cotovelo. O prêmio fica para “Lullaby”, que permite todas as interpretações possíveis. Smith deixou claro que o clipe da música retrata seu medo de aranhas, enquanto os fãs alegam que a letra fala de um possível abuso sexual. Interpretações a parte, ouvi-la é viajar por um abismo e voltar, ir ao âmago do ser e retornar, coisas que somente músicas do The Cure (e do Nine Inch Nails) podem permitir.

A indicação vai para os que se permitem oscilar entre os naturais momentos de alegria e tristeza, permitem-se curtir um “luto” quando necessário, se permitem expressar. Aliás, a música faz isso, expressa o que está guardado na “alma”. Vale a pena curtir um pouco da “alegria deprimida” do The Cure, afinal a fachada de “felizes para sempre” funciona somente em algumas películas hollywoodianas.

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