Masʞara – Três

Cafeteria Baudelaire, 8 horas da manhã.

Existem ali dentro apenas duas pessoas, Janice a funcionária matutina e mau humorada, e Alberto, um dos clientes noturnos mas que depois de passar uma longa noite em claro resolveu trocar a hora do seu cappuccino.

Ela começou a trabalhar com orgulho no café, estaria perto de coisas que gosta e de um provável publico intelectual que seria ótimo para seus escritos. Era uma escritora amadora, dessas que são boas mas que o mundo não faz ideia que exista. Fazia letras na faculdade federal e mesmo com o status que o curso traria, sabia antes de mais nada que ainda não era ninguém e com um emprego desses não poderia reclamar. Os dias vieram, as noites também, assim como as semanas, meses e anos. Se formou, não publicou e se estagnou. Acordou cedo para o que antes era uma alegria se tornar uma ancora, sem fazer mais nada de sua vida a não ser estudar e se aprimorar no atendimento no café, a única coisa que restava era apenas o trabalho e uma casa vazia ao fim do turno.

Ele era um jornalista de um pequeno jornal da cidade, nada muito grande mas satisfatório. Desde seu ingresso ao consagrado meio de comunicação, conseguira várias promoções que o deixara como um importante jornalista investigativo. Nos últimos meses, seu estilo de vida havia conseguido atrapalhar muito a estabilidade que antes era possuidor, gastou mais do que ganhou e agora estava devendo mais do que conseguia pagar, prestações, juros, multas e o trabalho, que por subsequencia havia se tornado um peso. Aquela tinha sido uma noite como várias outras, a insônia dos pensamentos de “beco-sem-saída” não o permitiam ter uma boa noite de descanso, e em instantes o seu turno no jornal começaria, achou que um agrado não lhe faria mal.

Ela tinha 26 anos, não era da cidade, havia se mudado bem cedo, cheias de sonhos e possibilidades, era uma moça maravilhosa e com um sorriso encantador, não tinha amigos na capital onde agora fazia morada, tinha os deixado para atras, assim como Maximillian, seu grande amor.
Saiu as pressas com a desculpa de que seus conterrâneos eram atrasados, diferente dela que sempre pensava para frente e de uma forma positiva, teria seu nome falado em vários idiomas e seus livros seriam necessários para a formação da língua portuguesa em algum vestibular, seria importante e mostraria para o mundo o seu talento.

Ele cresceu em meio a uma família de classe média no meio da cidade, sua vida toda era uma festa, quase todos os dias da semana desde o ensino médio, agora com 31 anos não conseguia se ver mais jovem apesar de ainda o sê-lo. Sua aparência remetia a uma pessoa com mais 20 anos. Era um “coitado” aos olhos de todos, conseguira com o tempo ficar parado na mesma posição que ele e seus amigos da faculdade, isso é claro, o tornou o cara que não anda para frente, ficando estagnado vendo todos os outros seguirem em um rumo em ascendência em contra partida ao seu que era apenas uma linha reta, que com o seu ego super inflamado teimava a ver assim e não considerava a hipótese de ser uma queda.

Ela sabia quem era o homem sentado a essa hora da manhã no café, já o vira muitas vezes a noite e ficava se perguntando o que um jornalista cheio de amigos e que tem a vida boa estaria fazendo a essa hora ali. Provavelmente teve uma noitada e estava tentando se recuperar com um café forte e doce antes de ir para o trabalho, nunca soube o seu nome mas sabia que era uma boa companhia, era um homem atraente, mesmo com essa barba por fazer a dias e essa aparência de quem passou a noite acordado farreando, bebendo, se acabando. Mas alguém que acima de tudo podia fazer isso, afinal de contas era um homem novo e decidido, um editor chefe de um incrível jornal “vintage”. O que de errado ele poderia ter em sua vida?

Ele ascendia seu cigarro e aproveitava para olhar a atendente do café. Sempre gostou dessa mocinha, desde a primeira vez que entrou ali a uns bons anos. O café não poderia ter uma funcionária melhor que aquela, era estilosa, tinha cabelos sempre por volta dos anos 50. Sempre carregava consigo alguma peça do vestuário vermelha, o que amentava mais o que era de belo nela, as vezes se pegava em seu apartamento, que agora vivia a penumbra, pensando naqueles lábios tingidos de magenta, falando qualquer coisa que ele não prestaria atenção por estar esperando aquele sorriso que há muito tempo não via.

Ela aprendeu a não se envolver com clientes, tinha uma facilidade enorme de se apaixonar pelas pessoas que davam um minimo de atenção, era uma eterna apaixonada e mesmo entrando em relações relâmpagos por toda a sua vida, não achava que um dia iria encontrar alguém melhor e mais adequado para si que Maximillian. Sempre que se envolvia, sempre que pensava se permitir,  a imagem dele vinha na cabeça e suas relações ficavam frias e sem sentido. Quando tentou se aproximar de alguém esse alguém foi embora, não durou, um cliente em transição que só estava de passagem, tanto no café tanto em sua vida.

Ele não se apaixonava nunca, sentia uma leve atração pelas pessoas que passava assim que uma conversa era iniciada,  saber dos problemas e das experiencias de vida de cada uma das pessoas que sentavam a sua frente  era um tédio, não sentia nada de mais por alguem levantar a idéia que ele era um cara interessante, ainda continuaria a olhar para outra direção, longe do olhar de qualquer um. Enquanto tentava deixar claro que o interesse havia sumido há muito tempo, sabia que já tinha causado muita frustração no seu passado não muito distante, sabia que era um homem atraente mas sabia que as pessoas estavam interessadas somente nisso, ninguém estava disposto e nem preparado para aprender como lidar em uma relação com ele se não fosse ligado ao seu prazer, não era atraente.

Ela achava que com ele valia a pena tentar, era um cara bacana, sempre o via a conversas empolgadas com críticos de cinema, escritores de verdades, diretores de teatro, atores, publicitários, outros jornalistas… Mas sempre estava de certa forma sozinho, como se encontrava agora, queria aproveitar que o café a essa hora sempre fica vazio e ir até a sua mesa, começar uma conversa, saber como era a sua vida, o que teria feito para chegar até ali, o ouviria até se cansar, prestaria atenção em cada palavra vinda daquele homem, queria ser “A” mulher que o deixaria rindo a essa hora da manhã mas não queria ser mais uma em seu cardápio, parecia ser um homem insaciável que sempre escolhia uma vitima e depois de abater, sumia na floresta de pedra que era a cidade em volta.

Ele estava prestes a pedir mais um cappuccino para chamar a atenção da atendente, queria escutar a voz dela de novo e dessa vez pediria que se sentasse, aproveitaria que o lugar não fica com muitos clientes na parte da manhã e conversaria com ela e nem se preocuparia com o trabalho se isso acontecesse. Queria ser “O” homem que a abraçaria com força, que não deixaria mais ela sentir frio ao voltar pra casa, e quando ela estiver com essa cara séria que está agora, ser o responsável por colocar um sorriso no lugar. Estava disposto a ser um e não mais só mais um. Mas se ressentia , havia uma rotina que sempre se seguiu, o interesse aparecia, apenas em quem assim como ele, não se interessava por muita coisa,  com o jornalista no meio.   Não queria que justamente aquela moça do café, por quem adquiria cada vez mais ternura fosse mais uma.

Eles estavam agora juntos, olhando um para o outro, disfarçadamente de soslaio e nem sequer repararam nisso, talvez mais um cappuccino seria pedido, talvez alguns números de telefones seriam trocados, talvez um sorriso tomaria lugar ao mau humor, talvez, se não fosse por Rubens…

Rubens era recém-formado em cinema, tinha orgulho disso mas não se gabava, no meio de suas criticas e resenhas sobre filmes feitas a um programa de T.V., sua vida melhorará bastante, era pago para tal, tinha ingresso nos cinemas da cidade para poder exercer seu trabalho sem interrupção monetária, trabalho esse que abriu janelas que o permitiu escrever três livros e abrir sua própria revista eletrônica, era bem focado no seu trabalho e apensar de ainda ter 26 anos já era uma pessoa influente no ramo.

Eles olhavam perplexos para Rubens Fonseca, ambos sabiam quem era, mas por diferentes motivos se perguntavam o por que ele estaria ali a essa hora, e o que poderiam falar a sua presença. O homem com uma bela de uma carreira ainda pela frente, que sera jornalista, dramaturgo, escritor, ator, critico e ainda era jovem, com muita vida pela frente.

Rubens não sabia se aquele lugar seria o lugar certo para si, uma semana corrida, muito trabalho e pouco descanso, carregando consigo o seu laptop queria algum lugar mais tranquilo para poder escrever suas coisas. Escrever sem interferência de algum trabalho ou patrocinador. Mas não andava tanto com esse pensamento otimista que em algum momento conseguiria fazê-lo, tinha acordado cedo, negado algumas chamadas, apenas tomou um banho gelado e saiu com seu laptop debaixo daquele clima frio e cinza que a cidade estava fazendo. Estava ótimo para escrever aquele dia, e não podia perder isso, sentaria em um lugar confortável e aconchegante. Foi o que a principio o café Baudelaire lhe proporcionou, uma vez ali dentro passaria a pensar um pouco diferente. Pediu um café preto.

Ele reparou uma certa aflição na voz do rapaz ao pedir o café, e uma certa hesitação. O que seria aquilo? Seria um dia complicado? O relógio retrô do Café marcava 8:23hrs, “era muito cedo pra ter um dia assim tão atarefado, senhor bem sucedido” – Pensou com escarnio escondendo para si sua inveja.

Ela foi atender o pedido do rapaz afoito que acabara de entrar no café, parecia um tanto quanto perdido quando foi entregar o pedido na mesa, estava nervoso e as mãos tremiam, o que poderia estar de errado na vida dele? “Ele tem tudo, e alem disso é criativo, não se pode dar o luxo de estar desesperado” – reclamou bem auto com sua raiva, dentro de si.

Rubens notou um ar pesado a sua volta, não olhou para nenhuma direção depois que sentou, mas sabia que mesmo estando vazio, tinha pessoas dentro do café que poderiam estar o observando, mas e ele? Ficou tanto tempo sendo observado pelas pessoas, pela critica, pelos patrocinadores, pelas revistas, que esqueceu como era observar, experimentou então fazê-lo. Encarou a atendente do lugar, ela estava encarando quando o fez. Quando ela reparou que estava sendo alvo do olhar incisivo, desviou e fingiu estar fazendo alguma outra coisa mais importante, a contraponto via o homem que estava bebendo um cappuccino se levantar e ir até a porta, seu jornal e seu bloco de anotações ficaram do lado de dentro, provavelmente ela só iria para o frio do tempo lá fora dar uma fumada, começou a chover, bem de fininho e Rubens agora voltava sua atenção para a moça que o atendera.

Ele ascendia um dos poucos confortos que deixava seu corpo experimentar, o luxo. Dizia sempre, é claro, apenas para ele mesmo, que depois de toda merda que enfrenta ele pode sim sem problema nenhum poder fumar sem se importar com terceiros, e principalmente com ele mesmo. Mas agora não estava fumando por que queria, por que é algo que gosta, e sim por que tinha um nível de stress elevado, o rapaz que é mais novo que ele apenas alguns anos, já é bem melhor que ele em vários aspectos, não podia suportar isso e até o cigarro parecia medíocre apenas com a presença dele no local, o que poderia fazer? Parar com o fumo naquele instante? Não ajudaria, voltou ao seu cigarro e nem reparou que estava resmungando.

Ela notou como o homem que não sabia o nome era observado por Rubens ao sair, observador esse que voltou seus olhos para ela novamente – “o que ele quer comigo?”  Ser encarada assim estava a incomodando,” por que não dizia logo o que queria, aposto que está vendo como a minha vida é patética perto da dele, deve estar com pena de mim, ali dentro dessa cabeça que não para, está querendo escrever uma história e veio ao café atras de alguma referencia a tristeza não é?” Ela ainda pensou em como gostaria de não ser lembrada pelo menos uma única vez na vida como era pequena, pegou seu maço de cigarros e foi a passos fortes debaixo da pequena manta branca que a chuva fina e vagarosa fazia lá do lado de fora.

Ele olhou imediatamente para a porta assim que se abriu, era sua doce mocinha do Café, com aquela beleza fantástica que só ela tinha, aquele cheiro era hipnotizante, ficaria ali debaixo da chuva para observar o tempo que fosse preciso mas nunca, mesmo sendo atendido na mesa, havia chegado tão perto dela assim, e aqui do lado de fora, na rua, era tão mais bonita e atraente. Ela não conseguia achar o fogo para ascender o seu cigarro, e claro, não daria oportunidade para que perguntasse se tinha fogo, talvez não o fizesse, mas não quis deixar sombra de dúvida nisso, ofereceu o isqueiro sem saber se lhe entregava ou se ascendia ela mesmo o cigarro.

Ela escutou surpresa, o cara que era da noite lhe oferecer o isqueiro, na pressa de sair do campo de vista do jovem bem sucedido esqueceu o seu dentro do Café – “Posso?” – Dizia ele com aquela voz de veludo, oferecendo o braço com o fogo, ou o fogo com o braço dele? Por uns instantes simplesmente tinha se desligado e esqueceu de dar a resposta, como era bonito esse cara, lá de dentro não deu pra reparar nisso, mesmo com as noitadas ainda sim era um partidão ein? Aceitou a ajuda mas não sabia se pegava o isqueiro da mão dele ou se deixava-o ascender para ela, ele veio ascender. Deixou que o fizesse, estava ventando, então com a mão que não segurava o fogo, ele fez uma proteção para impedir o vento de apagar a chama, e ela fez o mesmo, tocando com as duas mãos as mãos do homem do café. Mãos que ela gostaria que estivessem tateando seu corpo naquele momento.

Ele ficou quente quando sentiu aquelas mãozinhas segurando as suas, não sabia como agir, mas sabia que estava afoito, sua respiração estava pesada agora, soltou da mão da moça. “Obrigado” – ela disse com aquela voz de alguém decidido e virou para outra direção, na certa ela nem reparou nele, o que ele podia esperar? Alguém com a classe que ela tinha jamais daria atenção para um ferrado como ele, ainda mais como estava. Fumou o restante do seu cigarro e voltou para dentro do café, sentou na sua mesa e não sabia mais o que fazer ali dentro. Queria ir embora mas não sem antes poder ver mais um desfile da sua mocinha do Café.

Ela se sentiu uma idiota quando ele entrou, mas ao mesmo tempo aliviada, sentia-se como se por todo tempo que ele estava presente ali,  ela estivesse segurando a respiração, nem conversaram, não houve sintonia, nem papo, que outra oportunidade teriam? Talvez na hora de pagar a conta, ela resolvesse puxar papo, saber se não poderiam se encontrar em um outro momento. Mas que cabeça, estava pensando como se dependesse apenas dela para que algo rolasse entre eles, e esqueceu que ele deve ser um jornalista com um gosto refinadíssimo, nada que ela pudesse se comparar, apagou o cigarro e entrou para a cafeteria. O homem não estava mais lá, talvez tenha ido ao banheiro. – “Espero que sim”. Mas o outro continuava ali, sem nem ter tocado no café preto que já devia estar frio agora.

Rubens achava graça em perceber as coisas ao redor, gostava mais disso do que ser vangloriado por algum trabalho que fez, tinha mais pessoas que odiavam ele do que gostavam de fato, mas não lembrava mais de ter alguém na sua vida melhor que seu namorado, Max. Ou o que um dia foi. Era o apoio que sempre precisou e nunca esperava ter, queriam ser casados no papel,  enquanto isso ainda não era possível, carregavam uma aliança que simbolizava essa união, que para ambos já seria eterna sem mesmo a necessidade banal de algum ritual antigo para comprovar. Rubens examinava a proximidade e ao mesmo tempo distancia que as pessoas do lugar tinha sobre ele. Conhecia o Jornalista, Alberto Dias, de uma vez que participou de uma coluna no jornal em que ele trabalha, na época o jornalista o cobriu de elogios e boas criticas, hoje parece estar mais amargo e com um ar bem pesado, olhar de que não sabia mais o que estava fazendo da vida. A atendente ele não sabia o nome, resolveu perguntar quando ela viesse lhe entregar o cappuccino que pediria em seguida, levantou a mão e olhou para ela, fazendo sinal com a cabeça. – “Por favor, me traga um cappuccino comum senhorita…”

Janice, me chamo Janice Fonseca, já lhe trago seu pedido. Ela não sabia ao certo por que disse de fato seu nome, ou sequer seu sobrenome, vai ver queria que o jornalista escutasse e ficasse com ele na cabeça, ou fazer um ciumes. – “Qual é o meu problema hoje? Será que a carência está tão forte assim a ponto de me desesperar?” Levou o pedido e viu o Jornalista que estava com um aspecto mais sinistro, parece que não estava pensando, estava voltando do banheiro agora e não pode ver a cena que ela fez, como se sentia idiota agora.

“Alberto?” – Foi pego desprevenido por um gutural vindo das profundezas de sua cabeça, era uma artimanha que há muito tempo ele havia aprendido, sempre quando perdia o foco era lembrado que ainda estava acordado e que ainda tinha coisas a se fazer, não poderia mais pensar na moça que provavelmente nunca iria querer algo com ele. – “Um ‘Zé’ isso que eu sou”, sentiu-se triste e foi embora, deixando o dinheiro do cappuccino na mesa junto com um bilhete que havia escrito para a atendente que nem sabia o nome, não reparou que tinha feito algo no papel, tinha a mania de escrever no papel junto com sua linha de pensamento, assim não se perdia. Viu a forma como ela estava encarando o rapaz, com toda certeza ele era mais atraente e não teria chance contra, aceitou a sua condição e cabisbaixo foi-se.

Janice viu novamente uma possível chance de conversar com o homem indo embora, ele nem olhou para trás, nem sequer deu atenção para ela durante o tempo todo que estava ali o máximo que poderia ter chamado sua atenção foi o proeminente artista que estava presente. Não gostava dele, Rubens parecia ser soberbo e não se importar com as pessoas a volta, de certa forma o seu trabalho era mais atrativo que seu apagado batom magenta, quis que ele não estivesse ali hoje, quem sabe poderia ter acontecido alguma loucura com o jornalista e ele viesse falar com ela? Quem sabe? Em um dia de chuva tudo é capaz de acontecer , as pessoas se gostam mais.

Alberto desolado por ter sido superado por um fedelho foi-se para o trabalho, imaginou que com a cabeça cheia tiraria aquela mocinha linda de sua cabeça, pensou que seria melhor não voltar a li, não se dava muito bem com paixonites, principalmente quando era só ele quem estava no clima. “Arriscar pra que? Vou me ater ao que me refere, tentar sair dessa vida de desespero, mas quem eu quero enganar, não consigo nem ter quem eu quero junto comigo, mesmo para conversar, não sei nem ao menos seu nome, sou patético”. E derrotado foi.

Rubens viu o homem indo embora e alguns instantes depois resolveu ir também, pagou a atendente e olhou para o relógio 9 horas em ponto, sorriu para ela mas não obteve um sorriso de volta, pegou sua mochila e foi debaixo da fina chuva que ainda estava caindo. Pensava como aquelas duas pessoas deveriam ser felizes e realizadas cada um em sua área, do contrario dele que vivia de criação em cima do que já existia, pegando possíveis histórias que criava dentro de alguns cafés e restaurantes, imaginou o quão profissionais eram aqueles dois, ambos com suas vidas avulsas e livres,  o quanto estava longe de seus comprometimentos, sua inveja falava auto agora, não conseguia sentir admiração por seu ego ser do tamanho do estado de Minas Gerais. Aqueles dois, que tinham uma vida de solteiro e de trabalho, provavelmente os dois faziam o que gostava enquanto ele tinha vários trabalhos sobre encomenda. Seu relacionamento com Max já havia se tornado uma rotina de comportamento, onde se está com alguém por comodidade e não mais por proximidade.  “Eles sim devem ser felizes, eu sou apenas mais um que não alcançou o que queria.

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