Fim de tarde – Flêunerismo

Os dias passam e o cansaço continua o mesmo, não se potencializa nem se dissipa.
A estagnação da mesma imagem que aterroriza e intoxica os olhos ao entardecer.

Suspiramos bem alto quando o expediente acaba, quando o pesado do dia se vai, quando o calor do trabalho não bate mais nas cotas. Suspiro curto, com a duração exata da percepção que o dia ainda não acabou. Olhamos dentro, pro intimo, buscamos a alegria de ontem que estava a queimar o corpo. Buscamos a criança que jogava bola na rua, que subia na arvore para colher a fruta madura… Buscamos o adolescente feliz de terminar o ensino fundamental e iniciar uma vida nova no ensino médio. Procuramos o remédio contra a tédio, um antidoto para o ócio depreciativo.

Buscamos entender por que o fim é tão triste, tão monocromático, tão temido, buscamos nas memórias os dias de cor, os dias de corrida, e de sorrisos de cantos de olhos. Buscamos nas lacunas que cavamos em nossos espíritos, a terra em que vamos nos enterrar.

Apenas para terminar um dia sabendo que a essa rotina é intrínseca e dolorosa, pertencemos por que queremos, sempre temos outra escolha, só não temos mais a sensibilidade que a inocência outra hora bem vinda, para nos resgatar de nós.

Foto: Anna Cecilia
Text: Yuri Borges 

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