Mama (2013)

“Amor de mãe nunca morre.”

 Falar de maternidade é algo delicado, principalmente quando ao invés de retratá-la de modo dramático procura-se dar um tom aterrorizante a esse tipo de relação (ver Sexta-Feira 13, por exemplo). Foi partindo dessa premissa de que o amor de mãe é eterno, ainda que com seus percalços, que Andrés Muschietti escreveu e dirigiu o filme “Mama” (2013), sob a produção executiva de Guilhermo Del Toro (O Labirinto do Fauno, 2006).

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Baseado em um curta-metragem de Muschietti feito em 2008, o filme conta a história de um pai completamente ensandecido que após matar a esposa, foge com as filhas Victoria (Megan Charpentier) e Lilly (Isabelle Nélisse) para o meio de uma sombria e quase inabitada floresta. Cinco anos se passam após o acontecido e o tio das garotas, Lucas (Nokolas Coster-Waldau de “Guerra dos Tronos”, 2011), torra todo o seu suado dinheiro em busca de algum vestígio de seus parentes. Somente as pequenas são encontradas, sem nenhuma explicação aparente, habitando uma cabana abandonada e em um estado deplorável de selvageria. Lucas e sua cônjuge Annabel (Jessica Chastain de “A Hora Mais Escura”, 2012) adotam Victoria e Lilly e tentam oferecer uma vida sossegada às garotas, mas logo eles percebem que a rapadura é doce, mas não é mole e que há algo de muito errado com as adoráveis menininhas. Victoria e Lilly interagem com um ente do além, que elas chamam de “Mama”. Lucas e Annabel não sabem se acreditam nas meninas, se elas possuem algum distúrbio psicológico ou se apenas são a fonte dos estranhos acontecimentos na casa. Daí para frente é praticamente “pagar para ver”.

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Por se tratar de um filme de horror, não seria de se surpreender que alguns clichês que permeiam o gênero estejam presentes na película de Muschietti. Antes de tudo, é necessário ressaltar que o clichê, cuja etimologia deriva do francês, diz respeito a uma repetição, a um molde que é incansavelmente utilizado. Embora falar de clichê sempre remeta a algo ruim, deve-se lembrar de que ele também é útil e necessário (quando usado sabiamente). Lembrando o que já foi escrito no artigo sobre o filme “O Segredo da Cabana”, um dos parâmetros do gênero horror é o apelo que se faz por um arrebatamento causado no espectador e, igualmente, pelo incômodo e desconforto gerados. No geral, é o medo que é um dos grandes motores para o gênero, sendo que os alguns recursos (que obviamente também foram usados no filme) tornam-se bastante utilizados para provocar essa reação, tais como: a câmera subjetiva; os enquadramentos em primeiro plano e primeiríssimo primeiro plano; a trilha “assustadora” para provocar a sensação (reação) de medo, etc. Além disso, é comum haver personagens vazios ou poucos complexos, o que talvez não fosse muito necessário, mas no caso do filme de Muschietti o vazio fica nítido pelas péssimas atuações de Chastain e Waldau.

Sem mais explicações aparentes sobre os momentos iniciais do longa-metragem, o público fica obrigado a aguentar figuras explicadoras esporádicas e sem mais utilidade que somente servem para delinear os acontecidos, apontar fatos e colocar um ar de mistério sobre a “maldição” fantasma. É a partir dessas revelações sobre a figura fantasmagórica a qual as crianças interagem e qual a sua maldição é que o filme começa a descarrilar completamente, perdendo o total sentido dos próximos minutos a serem exibidos. Eis que o festival dos lugares-comuns se inicia. Mama_Mama_2013_HD_1080p___D___Treyler_1348577458-591261

Fica complicado destacar alguns pontos fortes da trama, salvo pela Fotografia de Antonio Riestra que utiliza de cores frias e escuras, e os figurinos que raramente saem do cinza, preto, marrom e pastel realçam o tom sombrio da trama. A câmera de Muschietti em um plano fixo com a tela “ao meio” traz uma das melhores cenas do longa-metragem; mostrando em um mesmo plano Lilly brincando com sabe-se lá quem dentro do quarto, enquanto sua irmã, Victoria, está no corredor. Sinistro. É visível também o dedo de Del Toro na caracterização dos personagens, principalmente aqueles oriundos de “outro mundo” (logo, até me fez pensar que o Doug Jones estaria no filme). No entanto, é quase impossível não fugir às comparações rasteiras de ser um mix pobre de “Ringu” e “Ju-on” com “O Labirinto do Fauno” e “A Dama na Água”.

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O desfecho é desolador, especialmente por recorrer a uma resolução idealística digna de um filme da Disney, indo à contraposição a tudo o que foi mostrado desde o início. Foge ao estabelecido, tornando-se um conto de fadas travestido de filme de terror. Dentre o show de más interpretações e chavões, apenas as atuações das pequenas Megan Charpentier e Isabelle Nélisse são convincentes. Sem dúvidas, este é um daqueles filmes que daria um ótimo material para a categoria “Filmes Fódas” no Café Com Whisky.

maaamaFicha Técnica – Mama:

Direção: Andres Muschietti. Roteiro: Neil Cross, Andres Muschietti e Barbara Muschietti. Produção: J. Miles Dale e Barbara Muschietti. Produção Executiva: Guillermo del Toro. Fotografia: Antonio Riestra. Trilha Sonora: Fernando Velázquez. Elenco: Jessica Chastain, Nikolaj Coster-Waldau, Megan Charpentier, Daniel Kash, Julia Chantrey, Jane Moffat, Javier Botet, Isabelle Nélisse, Morgan McGarry, Sydney Cross, Jayden Greig, Maya Dawe, Pamela Farrauto, Kevin Kirkham, Sierra Dawe, Tyler Curnew, Chrys Hobbs. Ano: 2013. País: Canadá/Espanha. Gênero: Terror. Cor: Colorido. Distribuidora: Paramount Pictures Brasil. Estúdio: Toma 78 / De Milo.

Confira o trailer:

4 responses to “Mama (2013)

  1. O filme serve pra assustar. Se a intenção foi essa, eles conseguiram. Mas deixa a desejar na atuação (a não ser as meninas que faz um ótimo trabalho).

  2. "Um conto de fadas travestido de filme de terror" – e com essas palavras eu encerro aqui minha vontade de ver o filme. Confesso que com a produção do Del Toro eu fiquei mais instigado do que a história em si! Com esse Feedback mais o do Rafael Bastos eu fico meio decepcionado, por saber que a visão de vocês foi bem detalhada!
    Mas Jessica Chastein ter uma atuação ruim? Que triste, ela estava começando a me agradar bastante.

  3. Pingback: Chamada de emergencia (The call) | Café com Whisky·

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