Filmes Fódas #10 – Cães Assassinos

Escrevendo para esta coluna específica, cogitei várias vezes se de fato deveria colocar aqui um texto desse tipo, já que não tenho a skill do furor humorístico que alguns de meus colegas da equipe do Café com Whisky possuem, mas tomei coragem e eis aqui meu texto da coluna “Filmes Fódas”.

Aviso de antemão: cuidado com os SPOILERS!

 

Em um típico encontro de amigas em minha casa, resolvemos ligar a televisão para ver o estava a se passar (um ato incomum quando se trata das minhas reuniões pessoais). Entre esses canais de filmes famosos, encontramos algo que pareceu nos chamar a atenção: estavam exibindo o filme “Cães Assassinos” (The Breed, 2006). A história conta que um grupo clichê formado por cinco jovens estúpidos ousados resolveu tirar um descanso, no final de semana, em uma cabana no meio de uma ilha deserta. O único problema é que os sortudos não sabiam que a ilha estava recheada por uma matilha de cães das trevas modificados geneticamente sedentos por sangue, prontinhos para atacá-los e guarda-los para o jantar. Não parece novidade, não é? E fica evidente que não há nada de “novo” no filme, salvo por sua comédia completamente acidental. Primeiro: Quem em sã consciência vai se enfiar em um lugar onde Judas perdeu a outra bota e o resto das vestimentas? Muita gente faz isso, claro, até para fugir da correria e do estresse gerado nas grandes metrópoles e esses garotos não iam fugir à regra. Porém, para quem curte preservar a vida mais do que qualquer outra coisa, a primeira regra para sobreviver é: nunca tire férias em lugares isolados!

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 Continuando: No meio da floresta, um cidadão todo ensanguentado surge misteriosamente para avisar nossos indefesos jovens sobre o perigo dos tais cães assassinos. “Eles não querem vocês aqui”, diz o rapaz e antes que ele pudesse explicar melhor a estranha situação, um cão se lança, ou melhor, é lançado no melhor estilo “pokebola vai no pescoço do pobre coitado. A cena é cômica de tão mal feita e posso dizer que foi o momento em que quase tive uma síncope de tanto rir.

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 A matilha de raivosa e sedenta por sangue começa a uma perseguição implacável ao grupo, que se dirige loucamente até a suposta cabana protegida de todo o mal. Em meio a essa fuga emo-cio-nan-te, uma dessas feras morde a perna de nada mais nada menos que nossa Lara Croft do Agreste – Michelle Rodriguez. Um de seus amigos, que estava usando um arco, mira no cão e dispara a flecha. O mestre da pontaria acerta o alvo: a flecha atravessa a perna da garota – bem no meio do gastrocnêmio (vulgo “batata da perna”). Sensacional! Mancando e com a perna perfurada, pelo menos Rodriguez conseguiu espantar o cachorro. Segundo: Imagine-se indo acampar, viajar ou algo do tipo. O que você levaria? Cantil, barraca, talvez um canivete, suprimentos e claro, um arco e flechas! Que raios um cara vai passear e leva um arco e flecha? Só o nosso Robin Hood/Arqueiro Verde aqui! Já é um belo candidato para a Warner, guardem isso.

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“Cachorro, eu escolho você! Vai!”

Bem lá no meio do longa-metragem, no auge do clímax, o grupo decide que alguém (leia-se uma cobaia) precisa ir até o celeiro, numa tirolesa improvisada, para poder ter acesso ao carro que se encontra do outro lado da propriedade. Adivinha quem vai? Sim, ela mesma: Rodriguez, que mesmo com a perna perfurada apresenta uma mise-en-scène e expressões de deixar Missão Impossível no chinelo. Um a um, os jovens vão falecendo e o festival de cães voadores não para, matando desde o “carinha do rap” ao pseudo macho-alfa da turma – graças a Odin, pois é difícil aguentar um filme ruim com personagens piores ainda.

 imagesO desfecho não poderia ser melhor, pois além de contarem com uma garota que foi mordida. Óbvio que tinha que ser personagem loira grupo, claro, porque para alimentar o estereótipo sempre tem que colocar a personagem loira para dar mancadas e se ferrar. Muito bonito! Sim gente, ela se transforma – ainda que não seja no melhor estilo canina raivosa. Os jovens então, ou melhor, o que sobrou deles, partem para um suposto laboratório em que os cães foram criados para dar cabo nesse pesadelo. Michelle faz uma emboscada para os cães dentro do próprio laboratório e os explode, mesmo que ela tenha que ir junto com eles. Na verdade, a mulher-maravilha surge em seguida praticamente sem nenhum arranhão. Terceiro: A MacGyver (“Magaiver”) explodiu tudo, absolutamente tudo e saiu ilesa? Alguém me explica como? “Oh! Mister M, revele-nos tudo agora, príncipe das trevas!”.

 É difícil acreditar que Wes Craven (A Hora do Pesadelo, 1984) assinou a produção dessa imundície obra, e é mais difícil acreditar que um dia eu assisti a isso. Mas como dizem, nenhum filme é tão ruim que não se possa aprender algo com ele. E Cães Assassinos é verdadeiramente um Filme Fóda!

2 responses to “Filmes Fódas #10 – Cães Assassinos

  1. HAHAHAHHA e não é que você fez a resenha mesmo? Acho que foram poucos os filmes que me fizeram rir tanto quanto este, bem dizem que o melhor humor é aquele involuntário. Precisamos de mais tardes assistindo pérolas do tipo!

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