O Cavaleiro Solitário (2013)

A parceria entre Gore Verbinski, Jerry Bruckheimer, Johnny Depp e Ted Elliott & Terry Rossio, responsável pelo estrondoso sucesso da franquia Piratas do Caribe (Pirates of the Caribbean), retorna em mais um filme da Disney: uma adaptação de “O Cavaleiro Solitário” (The Lone Ranger). A ideia dos estúdios da Disney era a de resgatar o famoso herói da década de 30, que no Brasil veio a ser erroneamente conhecido por um tempo sob a alcunha de “Zorro”, e trazê-lo às telonas em uma nova concepção. Munido de um time desse porte, seria esse o próximo blockbuster que a Disney conseguirá emplacar?

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Com roteiro de Justin Haythe (Foi Apenas um Sonho, 2009), Ted Elliott & Terry Rossio (Piratas do Caribe), o filme conta, a partir do ponto de vista do índio comanche Tonto (Johnny Depp), a história de como John Reid (Armie Hammer) tornou-se o ranger solitário do Velho Oeste. Partindo de um retorno para a casa, Reid, um advogado bem instruído, decide voltar a sua terra natal, a pequena e próspera cidade de Colby. Aliás, a prosperidade da cidade deve-se principalmente pela instalação de uma linha ferroviária denominada Ferroviária Transcontinental, cujo dono é Lethan Cole (John Adams), um visionário que pretende estendê-la a todo território norte-americano. Porém, riqueza da cidade se vê ameaçada pelo bandido cruel e fanfarrão Butch Cavendish (William Fichtner), que deverá escoltado por um grupo de patrulheiros da cidade para garantir a segurança dos moradores. Tudo certo? Só que não. Como todo vilão, Cavendish está preparado para aterrorizar geral e exterminar todos os rangers em seu caminho.

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O roteiro do trio Haythe, Elliot e Rossio marca bem a trajetória de um homem branco e ingênuo, que enfrenta grandes vilões em meio a um cenário inóspito, até sua transformação em um verdadeiro homem das terras do oeste. Hammer consegue tornar plausível esse herói virtuoso e ao mesmo tempo desajeitado, não ultrapassando ou exagerando no papel que lhe foi exigido. Porém, é Tonto quem acaba conduzindo o filme, sendo o tutor do herói em sua jornada. Depp, em perfeita forma, rouba completamente a cena. Apesar de abandonar os trejeitos afeminados, oriundos quase de uma infecção pelo seu Jack Sparrow, é impossível pedir que o ator deixe de fazer caras e bocas. Menos mal, já que ele é o único que garante o alivio cômico do longa-metragem.

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 Ah claro, não se pode esquecer que há uma mocinha na história também – o resgate da “mocinha” é sempre um clássico! – que é interpretada por Ruth Wilson. Compondo o elenco feminino, Helena Bonham Carter aparece como a coadjuvante e dona de um saloon Red Harrington, em um papel irrisório e substituível. Somente por meio da impecável Direção de Arte e do Figurino que a personagem de Carter ganha mais destaque, sendo possível apreciar visualmente a sua figura excêntrica. O saloon “Red” lembra, de modo bem distante, a Ilha de Tortuga, cenário comum para os bucaneiros de Piratas do Caribe. Aliás, o filme de Verbinski às vezes soa como um recado para a Disney de como deveria ter sido a franquia (lembrando o ultimo fiasco, Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas, sob a direção de Rob Marshall). No primeiro Ato, quando os personagens Tonto e John Reid são apresentados um ao outro, e também ao espectador, há uma sequência bem a lá piratas, com direito a Depp e Hammer se dependurarem um correntes, girarem e fazerem belos estragos.

As referências de O Cavaleiro Solitário são inúmeras, permeando alguns clássicos do western. Na cena inicial, por exemplo, há de um grupo de homens com roupas escuras em uma estação de trem, remetendo diretamente a Sergio Leone e seu clássico “Era uma Vez no Oeste” (Once Upon a Time in the West, 1968). Os filmes de Leone surgem como uma das referências para algumas cenas de ação em vagões de trem, como também para a trilha sonora do ilustríssimo Hans Zimmer, que dentre as várias inspirações, busca fonte em Ennio Morricone. Os cenários assoladores, as disputas entre índios e brancos e a existência de um mocinho meio “fora da lei” remetem diretamente aos filmes de John Ford (No Tempo das Diligências, 1939).

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Em contrapartida a toda pomposa produção, é visível a perda de ritmo que se segue pelo Segundo Ato, gerando certo desconforto a ser expurgado apenas a partir do Terceiro Ato do longa-metragem, beirando ao clímax de toda ação. A extensão do filme é prejudicial e desnecessária. Os vilões estereotipados e caricatos também não contribuem muito, fazendo o filme escorregar em alguns momentos. A aliança entre o ranger que busca justiça e o índio nativo norte-americano que busca vingança é o único motor do filme, expondo que Depp é o recurso da equipe para segurar o navio… Quer dizer, o trem. The-Lone-Ranger-900-600

Em resumo, o filme tem ares de franquia e é mais um daqueles supérfluos para diversão que a Disney às vezes proporciona. É um típico “filme de férias”. Com ação e doses de comédia em medidas aceitáveis, O Cavaleiro Solitário demonstra a receita caprichada dessa equipe de peso para envolver o público – o problema é esta receita ficar demasiadamente batida.

 Hi-Yo-Silver!”

Nota: 7/10.

The Lone Ranger – Ficha Técnica:

theposterDireção: Gore Verbinski. Roteiro:  Justin Haythe, Ted Elliott e Terry Rossio. Produção: Jerry Bruckheimer e Gore Verbinski. Produção Executiva: Johnny Depp, Eric Ellenbogen, Ted Elliott, Eric McLeod, Chad Oman, Terry Rossio e Mike Stenson. Trilha Sonora: Hans Zimmer. Montagem: James Haygood e Craig Wood. Elenco: Albert Fry Jr., Alex Knight, Allison Marie Volk, Andrew Hook, Angela Crystal Williams, Armie Hammer, Ashley M. Kalfas, Aura Trentin, Barry Pepper, Bob Rumnock, Bryant Prince, Carter DuBois, Chad Brummett, Christopher Hagen, Claudia Adams, Damon Herriman, David Dustin Kenyon, David Ruggles, DeRick Walker, Edward Khmara, Elgin Cahill, Gio Dangadze, Grover Coulson, Harry Treadaway, Helena Bonham Carter, Hope McCurdy, James Frain, James P. Bennett, Jason E. Hill, Joaquín Cosio, Joel Thingvall, John Keating, Johnny Depp, Laina Loucks, Landall Goolsby, Leon Rippy, Liam Ruggles, Mason Cook, Matt O’Leary, Matthew Page, Michael Neal. Gênero: Aventura. Ano: 2013. País: EUA. Cor: Colorido. Duração: 149 minutos. Indicação: 14 anos.

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