A espuma dos dias

Com uma bela direção de fotografia e excelentes atuações, um mundo imaginário de Vian aos olhos de Gondry a “Espuma dos dias” é cansativo e demasiadamente despretensioso. 

Baseado no romance do escritor francês Boris Vian, a história fantástica acompanha Colin, um jovem abastado que fez sua fortuna de uma curiosa invenção olfativa-musical, o pianocktail. Ele então conhece e se casa com Chloe em uma cerimônia grandiosa e generosamente doa um quarto do seu dinheiro para os amigos Chick e Alise, para que eles também possam se casar. Porém, a tragédia não tarda e Chloe cai enferma, com uma rara e dolorosa condição: uma vitória-régia dentro do pulmão. A única maneira de tratá-la é cercando-a com flores, o que leva Colin a uma crise financeira.(Filmow)

Estou começando agora nesse mês de agosto o segundo semestre da faculdade de cinema, me considero apenas um protótipo de um cinéfilo que faz questão de mostrar seu ponto de vista, apenas com o conhecimento que possui. Fazer uma critica, ou simplesmente uma resenha de qualquer obra, é mais do que só difícil, é perigoso e de uma certa forma, até irresponsável.

Dizer sobre o filme e somente sobre o filme é o objetivo dessa resenha, não ignorando todas as suas referencias e inspirações, mas voltada somente ao filme e o que ele passou para mim quando fui vê-lo.

Não menosprezando o trabalho e mérito do diretor, atuações, cenários e até mesmo o roteiro, o que eu posso dizer dessa produção é que realmente foi entediante. A Sessão que vi resume completamente a visão que o filme deu, sala vazia, pessoas dormindo ao ponto de roncarem, saídas da sala antes da hora do filme terminar, pessoas atendendo seu telefone… Enfim. A ideia de contar um conto de fadas de trás pra frente é algo que realmente foi inovador, o filme não é somente onírico mas também o resumo de um gênero único e fantasioso.

 

As referencias do surrealismo são constantes em todos os quadros, a involução e a queda da felicidade dos personagens aparentemente sem explicação, não prende a atenção até o final. Não vemos ali referencias de outros trabalhos de Gondry (o mais famoso, brilho eterno de uma mente sem lembranças) mas sim das viagens psicodélicas de suas produções de videoclipes, principalmente nas montagens sobre as musicas de Bjork. O filme realmente não passa de um videoclipe que não faz questão de ser explicativo, só que com duas horas de duração.

A direção de fotografia sim é um ponto do filme que nem o mais aguçado dos críticos podem “meter a lenha”. Mas o que vale esse excelente trabalho de imagem sem um bom sentido no roteiro e nem na construção das cenas.

Para o entendimento do filme, é preciso em primeiro lugar, a percepção do universo particular do romancista francês Boris Vian, não sei ainda se é felizmente ou infelizmente mas, ainda carrego a ideia de que o filme, ainda que uma adaptação, tem que se sustentar, e infelizmente não foi o que percebi nessa produção.

Mas se chegou até esse poto da leitura achando que eu desprezei o filme, está enganado(a), foi um filme fascinante sim, com pecados bobos, como a ultima adaptação tanto de Os miseráveis, quando de “o homem que ri” – O introrsamento dos personagens com o publica é sim fantástico, e a atuação de Audrey Tautou, Omar Sy e Romain Duris, deram o ar onirico e despreocupado, que foi a impressão que o roteiro de Luc Bossi me passou.

Um conto de fadas contado de trás pra frente, sim! Onde normalmente vemos um crescente caso de amor, uma vida ruim se tornando uma vida boa, aqui em espuma dos dias, mesmo em um mundo surreal, vemos uma ponta de realismo onde a projeção da história, acontece normalmente no ritmo caótico e pessimista que ronda a vida cotidiana.

O filme se inicia com uma explosão de cores e extravagancia de imagens, onde vemos o personagem Colin, vivendo como se não tivesse nenhum tipo de problema a se preocupar, vivendo uma vida farta, divertida e esbanjada. Até conhecer Choe, um amor inesperado, mas premeditado pelos seus amigos, e viver uma vida sem freios ou limites, onde a felicidade de sua amada não tem preço, Colin começa a gastar sem medidas seu dinheiro, principalmente quando Cloe adoece, a vida dos dois começa a degringolar e se tornar cada vez mais fria, distante e monocromática, literalmente. Esse recurso de transformação de quadros, cenários, planos mais obtusos e luzes mais frias, em uma filmagem em preto e branco, mostra perfeitamente a transformação da vida dos personagens.

Mas é tecnicismo e criatividade que não levam a lugar algum.

Avaliação CcW: 06/10

Pais de origem: França
Direção: Michel Gondry
Roteiro:Boris Vian e Luc Bossi
Produtores:Genevieve Lemal e Luc Bossi
Elenco: Audrey Tautou (Chloë), Romain Duris (Colin), Aïssa Maïga (Alise), Alain Chabat (Jules Gouffé), Charlotte Lebon (Isis), Gad Elmaleh (Chick), Omar Sy (Nicolas), Philippe Torreton (Jean Sol Patre)

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