Obsessão (The Paperboy, 2013)

Baseado no livro homônimo de Pete Dexter, Obsessão chega aos cinemas brasileiros no próximo mês – quase um ano após sua estréia mundial, em novembro de 2012. A história acompanha o jovem Jack James (filho W.W. James, editor do jornal Moat County Tribune), um jovem desnorteado que ajuda o irmão jornalista (e homossexual) em uma investigação sobre a possível condenação injusta de um homem que está aguardando sua sentença de morte. Durante a investigação, Jack se apaixona por Charlotte Bless, uma prostituta que troca correspondências amorosas com o condenado.

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Bom, fui bem assim, direto, porque não há muito a se falar sobre o filme. Com um orçamento modesto (o filme não custou nem U$ 13 milhões), Obsessão aposta na força de um elenco de estrelas. Zac Efron é o jovem Jack – e cada dia se distancia mais do garoto saltitante de High School Musical. Não imaginava que poderia dizer isso há cinco anos atrás, mas o fato é que é confortante ver o quanto o ator cresceu e como sua atuação ganhou peso. Matthey McConaughey interpreta muito bem Ward James, irmão de Jack, que esconde sua homossexualidade da família e tem uma estranha obsessão por provar a inocência de Hillary Van Wetter – nosso bom amigo John Cusack que, este sim, em um papel pequeno, consegue chamar a atenção a cada aparição. Na pele de um psicótico condenado, fica-se sempre a dúvida se Hillary é ou não culpado.

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Para fechar o elenco, ainda temos Nicole Kidman que, após tantas plásticas e aplicações de toxina botulínica (vulgo botox), não consegue mais ter a mesma beleza do início de carreira. Okay, irão me criticar e é até compreensível, afinal Nicole é bela, mas nada comparado a Nicole dos primeiros anos. Além disso, há muito tempo não vemos Nicole em um grande personagem e sua Charlotte é um belo exemplo. A personagem em si já não é lá essas coisas, não tem um motivo para nada e ainda por cima é… forçada. Definitivamente, não é das melhores atuações da atriz – que é e pode muito mais do que isso. Mas, veja você: ela ainda conseguiu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz em 2013.

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Apesar do saldo positivo do elenco, o resultado final não é muito feliz. Obsessão não é um excelente filme, como pode parecer à primeira vista. Lee Daniels (do ótimo Preciosa – Uma História de Esperança) faz um belo trabalho na direção do elenco, mas fica faltando alguma coisa no filme. Talvez tenha sido o roteiro arrastado, escrito pelo próprio Pete, que faz com que o filme se torne massante. Tão pouco há cenas memoráveis – a não ser que você ache memorável ver Zac Efron de cueca em praticamente todas as cenas, nunca se sabe. Ah, e aquele papo de “mimimi fiquei sem graça quando minha mãe assistiu as minhas cenas de sexo com a Nicole e bla bla bla…” do Zac foi apenas pra levar as encalhadas ao cinema, ansiosas por uma cena de sexo do garotão que não aconteceu – ou pelo menos, se aconteceu, eu estava dormindo. A única cena onde há algum tipo de contato físico entre os dois é tão fraca quanto um episódio de Malhação.

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O filme ainda tem um recurso que o ajudou a ficar ainda mais “vergonha alheia”: a narração, que faz tanta esforço para explicar a investigação que chega a ser quase didática em certos momentos e faz com que nos sintamos burros. O filme, dessa forma, se torna confuso e sem o menor foco: ora em um personagem, ora em outra narrativa, ora em outra abordagem. É tanto tiro lançado que, no final, nada é atingido. Só o título já deixa margens do que está por vir: lançado em português como Obsessão, o título original do longa é The Paperboy, que, se traduzido corretamente, faria muito mais sentido. Os únicos pontos fortes do filme, além da atuação do elenco e da direção de Lee, ficam por conta da trilha sonora e da questão social abordada: preconceito. O filme se passa em um período turbulento da história norte-americana, onde qualquer minoria era tratada com indiferença. Os diálogos recheado de ódio proferidos aos negros do filme ou mesmo a cena em que Ward é espancado por um grupo dentro de seu quarto de hotel é uma das poucas experiências cinematográficas boas a serem tiradas de um filme cuja única obsessão é ser grande. Pena que não consegue…

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