O tempo e o Vento – 2013

Texto por Barbara Moreira

O longa “O tempo e o vento” que chega aos cinemas nesta sexta-feira (dia 20) se baseia na obra de Érico Veríssimo para construir sua trama. A projeção conta a história da família Terra-Cambará desde o encontro de Ana Terra (Cleo Pires) com o descendente de índio, Pedro (Martin Rodrigues).

Sendo Jayme Monjardim, diretor de filmes como “Olga”, mas mais conhecido pelo seu trabalho em novelas, era de se esperar que a projeção fosse um tanto espiritual e melosa – o que, de fato, acontece. Por exemplo, quando Bibiana Terra (Fernanda Montenegro) se despede do seu tempo na Terra e corre aos braços de seu longo amor, Rodrigo (Thiago Lacerda), já em sua “versão mais nova” (Marjorie Estiano), temos um momento em que seu bisneto lhe dá um aceno de adeus. Essa é uma das últimas cenas do filme, que mostra o caráter noveleiro (cortar) espiritual forte do diretor.

Um grande problema do filme em si, é a rapidez dos acontecimentos. Como a obra de Érico Veríssimo é muito extensa, fica difícil do roteiro captar todos os acontecimentos. O que a equipe tentou fazer, porém, parece ser abordar tudo de forma objetiva, só que as coisas ocorrem de forma tão rápida, que um filme de aproximadamente 120 minutos de duração se transforma num trailer sem fim.

Outro ponto que vale ser citado é a constante narração de Fernanda Montenegro ao fundo das imagens apresentadas. A narração é um recurso muito utilizado no cinema e que pode engrandecer a obra, mas se usado de forma excessiva, se torna chato e repetitivo. É isso que acontece em “O tempo e o vento”. A necessidade de narrar os acontecimentos se torna dispensável, uma vez que as próprias imagens podem dar, ao espectador atento, a informação que desejam. Quando o índio Pedro vai morar na casa em cima do rio no qual Ana Terra o viu pela primeira vez, fica claro ao espectador que aquele era o mesmo rio, sem necessidade de ouvir Fernanda Montenegro sempre narrado cenas óbvias. A narração, nesse caso, se tornou monótona e desnecessária.

O filme não é de todo ruim. As imagens são belas e a construção do cenário e figurino remetem tanto à época quanto aos próprios trajes do Rio Grande do Sul. As atuações são impecáveis e entram bem no papel, Cleo Pires se transformando em uma mulher forte sem uma transição muito brusca entre a menina que se apaixona pelo índio e a mãe que sofre o estupro e a perda da família. Algumas dessas imagens, entretanto, poderiam ser excluídas, como a cena que mostra o elemento fogo, para simbolizar o desejo de Ana Terra, quando obviamente é o que A personagem sente pelo índio Pedro, mas não comprometem o andamento do filme.

De todo, é um filme ruim, mas competente. Tem uma bela fotografia (que se deve mais ao cenário do que à equipe em si, mas enfim) e os personagens conseguem nos cativar, mesmo com o tempo limitado de narrativa. Apesar de não ter lido a obra completa, acredito que valha mais a pena sentar para lê-la do que para assisti-la nas telas.

 Avaliação CcW: 05/10

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Nota: O Café com whisky presa da ideia de toda produção cinematográfica ter que sustentar em si, a história abordada. Independente de qualidade e relevância da obra a ser adaptada e dos recursos do filme, ele em si tem que se sustentar, sem demasiadas explicações.

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