Nani Dias

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Fui criada para ser nerd (nota: eu cresci nos anos 90, então entendam no sentido que era usado naquela época). Minhas memórias de infância registram livros, revistas e gibis em qualquer cômodo que eu estivesse, e graças aos meus pais eu já sabia que as coisas boas estavam nos livros e que as coisas ruins estavam na televisão aos domingos. Como aprendi a ler ainda em casa, na escola só aprendi que saber um pouco mais que os coleguinhas só faz de você uma criança desajustada. E assim foi nos anos seguintes.

Li todos os livros de casa diversas vezes e também uma grande parte dos poucos livros interessantes do péssimo acervo da escola. Formei meu gosto para música com influência do irmão mais velho e mais tarde segui o meu rumo sozinha, com ajuda da internet e seus programas de compartilhamento. Com tanta informação, acabei me tornando extremamente curiosa, dessas que lê sobre algo que não se interessa apenas pelo prazer do conhecimento.

Na adolescência encontrei outras ex-crianças esquisitas e fiz bons amigos. E se me permitem abrir parênteses, os seres humanos mais interessantes que já conheci necessariamente fizeram parte desta categoria. Aprendi a me socializar e me descobri como uma excelente amiga, a mais tranquila e compreensiva que alguém poderia encontrar.

E com um acervo tão grande de coisas que aprendi, acabou resultando em uma fonte de criatividade precisando ser gasta. Não mencionei meu sonho de ser escritora, mas a essa altura eu já havia o largado, assim como o meu diário e aprendido a escrever publicamente no que tinha se tornado uma febre dos anos 2000: os blogs.

Mais alguns anos depois, entrei para Arquitetura na esperança de usar minha criatividade fazendo casas para as pessoas. Descobri que o curso não era nada do que eu esperava, e por isso mesmo apaixonei: encontrei no urbanismo o que eu procurava. Desisti de fazer casas e hoje quero consertar as cidades.

E hoje, vinte e dois outonos depois, eu já não sou mais uma menina desajustada.  A vida adulta, ainda que tenha chegado antes do previsto, me fez apanhar tanto que finalmente deixei os dramas adolescentes pra trás. E hoje, não escrevo mais porque é a única forma que eu encontro para me expressar, mas sim porque continua sendo a minha preferida.

Clique para ver os artigos da Nani.

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